terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Azáfama no cais!!! ............ Flávio 9.ºA


11 de novembro de 1517

Querido diário!

Detalhe
de uma página do"Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente,
por Omar Viñole
Hoje, tive um dia muito complicado, pois tive de ir buscar almas penadas que tinham acabado de morrer. Como sempre, levei comigo o meu ajudante, que me enfeitou a barca, para chamar a atenção de todas as almas pecadoras e não pecadoras que iam chegando ao cais. Quantas mais almas melhor, pois, como sabes, elas trabalham para mim. HI! HI! HI! HI!
Como sempre, estava lá a minha opositora, a célebre e enjoativa anjinha… Ela é sempre tão repetitiva… Traz sempre umas asinhas brancas e uma auréola para dizer que é santa. Cá para mim, ela não é anjo.
Bem, vou continuar a contar-te o meu dia… Comecei a recolher almas logo pela manhã e, como sempre, eles recusaram-se a entrar. Esta não é nenhuma novidade, pois ninguém quer vir para o inferno. Não sei qual é a razão para tal recusa, porque isto aqui é tão quentinho! O fidalgo bem tentou entrar na barca angelical, porém o anjo não o deixou embarcar. Depois de muito discurso escusado, o fidalgo e as restantes almas tiveram de entrar no meu batel. Mesmo assim ela levou quatro cavaleiros e um parvo para o paraíso. Confesso que não fiquei aborrecido, dado que não me fazem cá falta nenhuma. Eu trouxe um fidalgo, um onzeneiro, um sapateiro, um frade, uma moça, uma alcoviteira, um judeu, um corregedor, um procurador e um enforcado. Estou felicíssimo!!! Que festa vou eu fazer nas chamas ardentes do fogo do inferno!!!
Resumidamente, foi assim que correu o meu dia. Agora, dorme bem e sonha com as diabinhas.

                                                                        Flávio, 9.ºA

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