11 de novembro de 1517
Querido diário!
Detalhe de uma página do"Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente, por Omar Viñole |
Como sempre, estava lá a minha opositora, a célebre e
enjoativa anjinha… Ela é sempre tão repetitiva… Traz sempre umas asinhas
brancas e uma auréola para dizer que é santa. Cá para mim, ela não é anjo.
Bem, vou continuar a contar-te o
meu dia… Comecei a recolher almas logo pela manhã e, como sempre, eles recusaram-se
a entrar. Esta não é nenhuma novidade, pois ninguém quer vir para o inferno. Não
sei qual é a razão para tal recusa, porque isto aqui é tão quentinho! O fidalgo
bem tentou entrar na barca angelical, porém o anjo não o deixou embarcar. Depois
de muito discurso escusado, o fidalgo e as restantes almas tiveram de entrar no
meu batel. Mesmo assim ela levou quatro cavaleiros e um parvo para o paraíso.
Confesso que não fiquei aborrecido, dado que não me fazem cá falta nenhuma. Eu
trouxe um fidalgo, um onzeneiro, um sapateiro, um frade, uma moça, uma
alcoviteira, um judeu, um corregedor, um procurador e um enforcado. Estou felicíssimo!!!
Que festa vou eu fazer nas chamas ardentes do fogo do inferno!!!
Resumidamente, foi assim que correu
o meu dia. Agora, dorme bem e sonha com as diabinhas.Flávio, 9.ºA
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