sábado, 12 de janeiro de 2013


Brísida Vaz começa uma discussão com o Frade, dizendo:
Brí.- Cá estamos todos!
       Bem dizia a minha mãe
       que cada um tem o seu destino já traçado…
       Ninguém se vê livre dos seus pecados. Não é, Frade?

Fra.- Meu Deus, tira-me daqui…
        Tudo o que eu fiz, não foi por mal!
        Aquela mulher levou-me a pecar!

Brí.- Então, Frade! Agora é que estás a rezar?
       Devê-lo-ias ter feito antes de pensar em namorar!

Fra.- Cala-te, mulher infernal!
        Cala-te, Satanás!
        Tudo o que fiz
        foi por causa de mulheres como tu,
        que parecem indefesas,
        mas que, sem darmos conta,
        se revelam diabólicas,
        utilizando as suas armas
        para apanhar “santos” como eu!

Brí.- Ah! Ah! Ah!
       Deixa-me rir! 

       Agora dizes que não tiveste culpa e que eras um “santo”.
       Deixa-me rir!

 Fid.- Então, suposto santo,
        aquele que eu via,
        todas as terças-feiras,
        na propriedade da Brísida Vaz,
        não eras tu, pois não?
        Era o teu irmão gémeo?

Brí.- Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo…
       Para de fingir, ó Frade de meia tigela,
       pois só te enterras mais!

Fra.- Já te disse para te calares, alcoviteira!
        Os teus pecados não têm perdão…
        Tu nem deves saber rezar …

Diabo- Se não souber o Pai Nosso,
          também não precisa de o aprender!
          Para onde vamos, não necessitas de rezar!
          Já rezaste o suficiente, lá em baixo!
          Ah! Ah! Ah!

 Brí.- Sabes, ó Fradezito,
        eu não nasci em berço de ouro, como tu.
        Nunca fui à escola
        e, que me lembre, nunca entrei numa igreja.
        Eu nasci e morri na casa que tu frequentavas!
        Mas, como vês, cada um tem o seu destino…
        E olha que o teu não é diferente do meu!

Fid.- Se o estatuto social ou o dinheiro que nós temos contasse,
       eu também não estaria aqui!
       Mas tens de te conformar,
       porque este é o nosso destino…

Diabo- Têm toda a razão!
          E como o vosso destino é ótimo,
          apenas têm de remar…
          Agora, calem-se!!!
          Não vale a pena se lamentarem…
          Lembrem-se que o bilhete é só de ida!

 
Liliana, 9.ºA

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