Cais, 27 de junho de 1517Primo Dom Afonso!
Como tens passado este tempo?
Já não nos vemos há muitos anos, meu primo!
Espero que esteja tudo bem contigo e com a tua família. Bem, vais achar estranho o motivo pelo qual te escrevo esta carta, mas é para o teu bem. Vais pensar que sou maluquinho, mas não sou. O que vais ler é tudo verdade e no fundo tem o seu significado. A forma de vida que levei durante este tempo todo não foi a melhor!
Foi uma vida imoral, uma vida má, que ninguém deveria ter. Mas a culpa foi só minha! Fiz as escolhas menos boas para mim mesmo.
Levei uma vida de luxo, prazeres, traição… Só me importava comigo mesmo.
Era autoritário com toda a gente e até mesmo com o meu pajem, que fazia de tudo para me agradar.
Meu primo, eu morri e eu já vi o diabo e o anjo. Fui julgado pelos meus atos de cobardia e vícios. Pensei que o meu destino era o paraíso, mas não. O único destino que me resta é o Inferno, o sítio mais feio que existe, onde estão as almas que pecaram durante a sua vida inteira.
Fiz de tudo para poder escrever-te. Agora, concederam-me o regresso à vida terrena e agradeço por isso.
Mas o que te quero mesmo dizer e aconselhar é que não cometas os mesmo erros que eu. Se já os cometestes ou se tinhas intenções de o fazer não o faças.
É o melhor conselho que te posso dar!
Um abraço do teu primo,

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